A minha história

Chamo-me Kelvin Kroon. Nasci e cresci num município do sul dos Países Baixos. A minha infância foi marcada por bicicletas, campos abertos e refeições caseiras que demoravam o tempo que precisavam. Na altura isso parecia normal. Só mais tarde percebi que aquela lentidão tinha um valor que a vida adulta raramente preserva.

Na universidade escolhi informática. Gostava de resolver problemas e de construir sistemas. Acabei a trabalhar em desenvolvimento de software durante mais de uma década. Os dias eram longos, as noites curtas e o corpo quase não existia. Comia o que dava jeito, movia-me entre a secretária e o sofá, e o telemóvel era a última coisa que via antes de dormir e a primeira ao acordar.

Não houve um colapso dramático. Houve um acumular lento de sinais: a dificuldade em concentrar-me em conversas longas, a sensação de que os fins de semana passavam sem deixar memória, o facto de já não conseguir descrever o que tinha feito no dia anterior. Um sábado de manhã especialmente vazio, saí de casa sem telemóvel e caminhei durante meia hora sem destino. Foi apenas isso. Mas essa caminhada ficou comigo.

A viragem pelos gestos pequenos

Em vez de tentar “reformar a vida”, comecei a experimentar mudanças mínimas. Primeiro foi a regra de deixar o telemóvel noutra divisão durante a primeira meia hora do dia. Depois foi a decisão de preparar o pequeno-almoço na noite anterior. Depois foi sair dez minutos ao ar livre a meio da tarde, independentemente do tempo.

Nenhuma destas ações era original. O que mudou foi a forma como as abordava: sem julgamento, sem metas de desempenho, apenas com curiosidade. Ao fim de alguns meses notei que os dias tinham mais “espaço”. Não porque tivesse menos tarefas, mas porque a forma como as atravessava era diferente.

Comecei a escrever notas curtas sobre o que observava. Não para publicar — apenas para mim. Essas notas cresceram. Um dia partilhei uma com um amigo e ele perguntou se podia mostrar a outras pessoas. Foi assim que o Creolade começou a tomar forma.

O que este site não é

Não sou nutricionista, não sou treinador, não sou terapeuta. Não ofereço planos, não vendo programas e não prometo resultados. O que faço é registar a minha experiência com hábitos quotidianos e partilhá-la de forma honesta. Alguns leitores encontram ecos das suas próprias rotinas. Outros discordam. Ambos os casos me interessam.

Os textos que encontrará aqui falam de movimento, de refeições, de descanso e de tempo ao ar livre. Falam também de falhas, de dias em que nada correu como planeado e de como esses dias também fazem parte do processo. Escrevo em português porque quero que estas reflexões cheguem a leitores que apreciam uma linguagem clara e sem excessos de jargão.

Onde vivo e como trabalho

Atualmente vivo em Etten-Leur, nos Países Baixos. O endereço que aparece no rodapé é o meu endereço real. Trabalho a partir de casa a maior parte dos dias, o que me permite manter a rotina de pequenos movimentos e de refeições preparadas com calma. O Creolade não é a minha atividade principal — é o espaço onde registo o que aprendo enquanto vivo.

Se quiser contactar-me, pode fazê-lo através da página de contacto. Leio todas as mensagens, embora nem sempre consiga responder no mesmo dia. Agradeço a quem partilha as suas próprias observações.

Obrigado por ter lido até aqui. Espero que algum dos textos deste site o acompanhe num momento de pausa ou de curiosidade. E se decidir experimentar um dos hábitos de que falo, faça-o sem pressão. A única regra que realmente importa é a de observar o que funciona para si.

— Kelvin Kroon
Etten-Leur, julho de 2026